Jovens do Paleta Coletiva iniciam nova exposição a partir de imersão artística no rio Capibaribe

O rio, as pontes e o movimento da cidade vistos de outro ângulo. Os olhares atentos e extasiados pelas paisagens, cheiros e cores. Foi assim que o grupo Paleta Coletiva deu início à construção da nova exposição “Entre Pontes: O Recife observado do Capibaribe”, após uma incursão artística realizada em abril, coração do Recife.

Pela primeira vez, o grupo participou de um passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe. Com saída do Marco Zero, os adolescentes observaram as pontes históricas, a arquitetura da Veneza brasileira e os contrastes que atravessam o cotidiano da capital pernambucana. A experiência agora se transforma em pesquisa visual e sensível para a criação de novas obras.

Formado por crianças e adolescentes de Glória do Goitá, o Paleta Coletiva utiliza a arte como forma de expressão e leitura do território. Desta vez, o desafio foi deslocar o olhar. Sair do interior e ver a capital a partir do rio, perceber seus fluxos, suas camadas e contradições.

Para a jovem artista Julia Costa, a vivência foi marcada por descobertas e sentimentos mistos. “Foi mais um sonho realizado. Desde pequena eu tinha vontade de andar de barco e a Giral me proporcionou isso. Quando o barco começou a navegar, senti uma sensação de liberdade e leveza”, contou. Ao mesmo tempo, o contato direto com o rio também trouxe inquietações. “Quando vi o Rio, percebi o quanto o ser humano pode destruir a natureza. Fiquei muito triste com o tanto de lixo em um rio tão bonito e carregado de histórias.”

A proposta da imersão vai além da observação estética. Para o educador e curador do grupo, Wemison Araújo, o processo envolve memória, território e consciência crítica. Ele destaca o Capibaribe como um organismo vivo, que atravessa diferentes paisagens e realidades, do interior ao litoral, acumulando histórias, usos e conflitos.

“Sair de Glória do Goitá para produzir uma exposição a partir das impressões sobre o Rio Capibaribe é um desafio grande. Esse rio carrega ancestralidade, vida e também marcas de agressões. É um espaço de passagem, de conexão e de reflexão”, explicou.

Segundo ele, observar o Recife a partir das águas permite perceber dinâmicas que passam despercebidas no cotidiano. “De dentro do rio, a cidade revela outros ritmos, outros contrastes. A gente vê desde grandes estruturas econômicas até a vida de quem depende diretamente dele para sobreviver. Tudo se mistura, natureza, cultura e desigualdade”, afirmou.

As obras produzidas a partir dessa vivência irão compor a exposição “Entre Pontes”, prevista para o segundo semestre. A mostra pretende apresentar o Recife a partir do olhar desses jovens artistas da Zona da Mata, conectando território, identidade e criação artística.

A ação integra o projeto Educação e Vivências Inclusivas, da Giral, que promove o desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio da arte, da cultura e da educação. Com apoio do Programa Amigo de Valor, do Santander, o projeto segue criando espaços onde o olhar dos jovens artistas se transforma em arte e expressão.

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O Giral realiza processos que corroboram com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados em 2015, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para unir forças em prol de uma Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser cumprida até o ano de 2030. Entre eles, destacam nas ações da instituição, os compromissos com os objetivos: