Formações discutem uso consciente da inteligência artificial com famílias e equipe da Giral

Nas últimas semanas, o setor psicossocial da Giral promoveu uma série de formações sobre os usos da inteligência artificial. Com o objetivo de discutir possibilidades, cuidados e aspectos éticos relacionados a essas tecnologias, as atividades foram direcionadas tanto às famílias de beneficiários quanto à nossa equipe de educadores. Junto das famílias, os encontros aconteceram com o tema “Entre telas e vínculos: o papel da família na era da IA”, realizados na nossa em Glória do Goitá, e no distrito de Apoti. As formações foram conduzidas pelo jornalista Agamenon Porfírio e abordaram desde o funcionamento das ferramentas até cuidados com segurança digital e o acompanhamento do uso da tecnologia por crianças e adolescentes. Segundo a psicóloga Larissa Tainá, integrante do setor psicossocial da instituição, o objetivo foi abrir diálogo sobre um tema cada vez mais presente no cotidiano das famílias. “A inteligência artificial já faz parte do dia a dia, inclusive da vida de crianças e adolescentes. Trazer esse tema é uma forma de orientar, prevenir riscos e ajudar as famílias a compreenderem melhor essas tecnologias”, explica. Ela também destaca que a mediação familiar é fundamental nesse processo. “Muitas vezes as famílias não sabem exatamente o que os filhos estão usando ou como orientar. A proposta é fortalecer esse acompanhamento, para que se sintam mais seguras em abordar o assunto em casa.” Já com a equipe da instituição, a formação teve como tema “Entre tecnologia e cuidado: como equilibrar a IA no trabalho social” e foi conduzida pelo desenvolvedor de software Alberes Borges. Durante o encontro, Alberes apresentou exemplos práticos de uso da inteligência artificial no cotidiano da instituição, como apoio à escrita, organização de ideias e planejamento de atividades. A formação também destacou cuidados relacionados à segurança de dados e ao uso responsável das ferramentas. “A ideia foi quebrar um pouco a mística em torno da inteligência artificial e trazer o tema para perto da realidade da Giral”, afirma. Para ele, a tecnologia pode ajudar a otimizar tarefas, mas não substitui o olhar humano no trabalho social. “A IA pode apoiar processos, mas aquilo que sustenta nosso trabalho continua sendo a escuta, o cuidado e a relação com as pessoas.” Com o conhecimento prático e acessível, a Giral reforça seu papel de suporte integral às famílias. Trazendo o debate sobre essas tecnologias para o centro da discussão, reafirmamos nosso compromisso de construir, junto à família, bases sólidas para o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. A iniciativa realizada pela Giral conta com o patrocínio da BB Seguros e apoio do Programa Amigo de Valor, do Santander.
Discutindo tecnologia e o futuro do trabalho, Escola de Comunicação inicia nova turma

Um novo ciclo de formação começou na última terça-feira (05), com o seminário de abertura da segunda edição da Escola de Comunicação da Giral. O encontro reuniu jovens que passam a integrar o projeto e que, pelos próximos seis meses, participarão de uma formação voltada para comunicação, tecnologia e cidadania. A Escola de Comunicação 2.0 também dialoga com a própria história da organização. No início de sua atuação, a Giral já trabalhava temas ligados à democratização da comunicação e ao uso social das tecnologias. A proposta sempre esteve ligada à valorização de narrativas locais, à cultura e às histórias do território. De certa forma, o projeto retoma esse caminho. Fundador da Giral, Everaldo Costa lembrou desse percurso ao conversar com os participantes. “Nós somos militantes de uma comunicação pública, democrática”, disse. Para ele, um dos grandes diferenciais da formação é que ela vai além das técnicas. “Vocês estarão discutindo, aprendendo e produzindo conhecimento. Uma chance de criar oportunidades para suas vidas.” Ele também reforçou a importância de olhar para o próprio lugar onde se vive. “Através desse projeto, conheçam também a si mesmos. Conheçam seus direitos e o lugar onde vocês vivem. E, que a partir disso, vocês possam transformar sua realidade.” O primeiro momento do encontro apresentou o percurso que será vivido ao longo da formação, além de parte da equipe do projeto. Em seguida, os participantes acompanharam um painel com o tema “O futuro do trabalho e as novas tecnologias”, conduzido pelo coordenador do projeto, Alexandre Constantino, e pelo jornalista e educador Agamenon Porfirio. A conversa girou em torno das mudanças que já estão em curso no mercado de trabalho. Inteligência artificial, algoritmos e automação apareceram como parte de um cenário que transforma profissões e cria novas demandas. Ao mesmo tempo, os dois chamaram atenção para algo que continua sendo decisivo: competências humanas como empatia, escuta e inteligência emocional. Em um contexto de rápidas transformações tecnológicas, essas habilidades aparecem como diferenciais que nenhuma ferramenta substitui. “O que você fala, como você se porta, tudo é comunicação”, afirmou Alexandre Constantino durante o encontro. Para ele, o início da nova turma também representa uma oportunidade disputada. “Hoje começa a jornada 2.0. Tem muita gente que queria estar aqui no lugar de vocês e não conseguiu.” Entre os participantes, a expectativa é grande. Thaís Marques, de 27 anos, conta que chegou com o desejo de ampliar seus conhecimentos e enfrentar a timidez. “Minha expectativa é extrair o máximo de conhecimento possível e perder a timidez. Abrir o leque de possibilidades que uma boa comunicação proporciona, tanto no mercado de trabalho quanto na vida pessoal”, afirma. Para ela, mesmo em um momento de avanço tecnológico, a comunicação continua sendo central. “Boa comunicação e conhecimento são essenciais para que a tecnologia seja apenas ferramenta.” Mirella Vasconcelos, de 18 anos, também vê na formação uma oportunidade de aprofundar um interesse que já vem cultivando. “Entrei no projeto com uma expectativa muito grande de aprender, principalmente na prática. Eu gosto muito dessa área de comunicação”, conta. O primeiro encontro já deixou uma impressão clara. “Eu saí daqui com a sensação de que estou no lugar certo, fazendo algo que realmente me interessa.” A Escola de Comunicação 2.0 tem foco na formação cidadã e na inclusão digital. Ao longo dos próximos meses, os jovens terão contato com áreas como fotografia, copywriting, design, produção de vídeo e desenvolvimento de aplicativos, além de temas ligados à cidadania e à educação financeira. Iniciativa da Giral com apoio do Instituto Cooperforte, o projeto busca ampliar possibilidades para juventudes do território, conectando comunicação, tecnologia e protagonismo. Em sua primeira edição, realizada em 2025, 24 participantes concluíram a formação. Agora, uma nova turma começa a escrever o próximo capítulo dessa história.
Jovens do Paleta Coletiva iniciam nova exposição a partir de imersão artística no rio Capibaribe

O rio, as pontes e o movimento da cidade vistos de outro ângulo. Os olhares atentos e extasiados pelas paisagens, cheiros e cores. Foi assim que o grupo Paleta Coletiva deu início à construção da nova exposição “Entre Pontes: O Recife observado do Capibaribe”, após uma incursão artística realizada em abril, coração do Recife. Pela primeira vez, o grupo participou de um passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe. Com saída do Marco Zero, os adolescentes observaram as pontes históricas, a arquitetura da Veneza brasileira e os contrastes que atravessam o cotidiano da capital pernambucana. A experiência agora se transforma em pesquisa visual e sensível para a criação de novas obras. Formado por crianças e adolescentes de Glória do Goitá, o Paleta Coletiva utiliza a arte como forma de expressão e leitura do território. Desta vez, o desafio foi deslocar o olhar. Sair do interior e ver a capital a partir do rio, perceber seus fluxos, suas camadas e contradições. Para a jovem artista Julia Costa, a vivência foi marcada por descobertas e sentimentos mistos. “Foi mais um sonho realizado. Desde pequena eu tinha vontade de andar de barco e a Giral me proporcionou isso. Quando o barco começou a navegar, senti uma sensação de liberdade e leveza”, contou. Ao mesmo tempo, o contato direto com o rio também trouxe inquietações. “Quando vi o Rio, percebi o quanto o ser humano pode destruir a natureza. Fiquei muito triste com o tanto de lixo em um rio tão bonito e carregado de histórias.” A proposta da imersão vai além da observação estética. Para o educador e curador do grupo, Wemison Araújo, o processo envolve memória, território e consciência crítica. Ele destaca o Capibaribe como um organismo vivo, que atravessa diferentes paisagens e realidades, do interior ao litoral, acumulando histórias, usos e conflitos. “Sair de Glória do Goitá para produzir uma exposição a partir das impressões sobre o Rio Capibaribe é um desafio grande. Esse rio carrega ancestralidade, vida e também marcas de agressões. É um espaço de passagem, de conexão e de reflexão”, explicou. Segundo ele, observar o Recife a partir das águas permite perceber dinâmicas que passam despercebidas no cotidiano. “De dentro do rio, a cidade revela outros ritmos, outros contrastes. A gente vê desde grandes estruturas econômicas até a vida de quem depende diretamente dele para sobreviver. Tudo se mistura, natureza, cultura e desigualdade”, afirmou. As obras produzidas a partir dessa vivência irão compor a exposição “Entre Pontes”, prevista para o segundo semestre. A mostra pretende apresentar o Recife a partir do olhar desses jovens artistas da Zona da Mata, conectando território, identidade e criação artística. A ação integra o projeto Educação e Vivências Inclusivas, da Giral, que promove o desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio da arte, da cultura e da educação. Com apoio do Programa Amigo de Valor, do Santander, o projeto segue criando espaços onde o olhar dos jovens artistas se transforma em arte e expressão.





