Comitês contribuem e fortalecem projetos de vida de jovens empreendedores em quatro municípios

Os salões e as salas onde os comitês aconteceram pareciam minúsculos perto da dimensão dos sonhos que se manifestavam ali. Em cada encontro entre o jovem e os membros do Comitê, uma história de vida era contada. Há quem apresente um empreendimento que acabou de começar, quem já tenha colocado o negócio de pé e precise de novos recursos para avançar e quem ainda esteja descobrindo como transformar uma vontade antiga em projeto. Entre expectativas e um pouco de nervosismo, os jovens falavam sobre o que sabem fazer, de onde vieram e, principalmente, sobre onde querem chegar.

Foi assim durante a primeira semana de agosto, quando os Comitês de Projetos de Vida aconteceram em Glória do Goitá, Feira Nova, Lagoa de Itaenga e Pombos, reunindo jovens empreendedores e integrantes de uma banca que, mais do que avaliar propostas, estiveram ali para fortalecer sonhos. A iniciativa faz parte do Projeto Empreender e Inovar para Transformar, desenvolvido pela Giral, e acompanha um processo de formação que envolve conhecimentos sobre planejamento, gestão, liderança, comunicação, geração de renda e construção de projetos de vida.

O encontro começa com a apresentação dos jovens. Eles contam sobre seus empreendimentos, suas experiências e aquilo que pretendem construir. Do outro lado, os integrantes do Comitê perguntam, escutam, analisam e contribuem. Clareza da proposta, relevância, sustentabilidade, potencial de geração de renda, perfil empreendedor, justificativa dos investimentos e possibilidade de continuidade estão entre os aspectos observados.

Mas algumas coisas não cabem em planilhas.

É preciso entender quem é aquele jovem, o que o levou até ali e o que pode mudar em sua trajetória a partir daquela oportunidade. Por isso, cada apresentação também é um encontro com uma história.

Em Glória do Goitá, Maria Eduarda levou para o Comitê um projeto de vida ligado à criação animal, construído a partir da realidade da zona rural e de uma história familiar que também atravessa seus sonhos. Ao falar sobre a proposta, lembrou a reação do avô ao saber do projeto: “Eu tenho muito orgulho da história da minha família e meu avô ficou muito feliz quando soube do meu projeto de vida.”

A fala de Maria Eduarda revela uma dimensão presente em diferentes apresentações: os empreendimentos não nascem isolados. Eles carregam conhecimentos aprendidos em casa, referências familiares, experiências do território e desejos que vão sendo construídos ao longo do tempo.

Em Feira Nova, essa relação entre trajetória e sonho aparece de outra maneira na história de Eliziane da Silva. Vinda da zona rural, ela foi morar em Recife e se deparou, pela primeira vez, com um trailer de comida. A cena despertou uma possibilidade que permaneceu viva mesmo enquanto ela buscava outros caminhos de formação. Eliziane estudou, fez cursos, experimentou possibilidades, mas não encontrou nesses caminhos aquilo que procurava. O sonho do trailer continuava ali. Até que decidiu apostar nele. “Sei de onde eu vim, sei o que eu fiz e o que eu quero”, conta. Para colocar o projeto em movimento, vendeu a própria moto e comprou o trailer. “Vendi minha moto, comprei o trailer, abdiquei de muita coisa, mas eu consegui. Faltam os equipamentos e é aqui que a Giral entra.”

É justamente nesse ponto que o Fundo Semente se encontra com as histórias apresentadas pelo Comitê. O recurso pode representar a possibilidade de dar continuidade a algo que já começou, fortalecer uma iniciativa existente ou criar condições para que um projeto de vida saia do papel.

O investimento, porém, não aparece sozinho. Antes dele, existe todo um processo formativo. E é essa combinação que Sabrina Medeiros, empreendedora de Feira Nova no ramo de doces, faz questão de destacar. “Tem gente que acha que é só o recurso, mas é a sala de aula, os aprendizados, os professores, os colegas, é muito mais do que o recurso. A Giral me fez aceitar e acreditar no meu propósito.”

A frase ajuda a compreender o que acontece quando um projeto de vida encontra uma rede capaz de fortalecê-lo. O dinheiro pode comprar um equipamento, uma matéria-prima ou contribuir para uma estrutura. Mas o conhecimento adquirido ao longo do caminho permanece como ferramenta para as decisões que vêm depois.
Em Pombos, Bianca Carvalho também apresentou um empreendimento que nasceu de uma necessidade profundamente ligada à própria vida. Artesã, ela trabalha com crochê e encontrou no empreendimento uma maneira de construir, aos poucos, melhores condições para ela e para o filho. O incentivo da avó também fez parte desse começo. “Meu empreendimento é uma forma de dar qualidade de vida para o meu filho. Eu ainda não consigo manter a casa, mas mantenho meu filho.” A trajetória de Bianca mostra que, para algumas jovens, empreender significa também encontrar uma forma de conciliar trabalho, cuidado e maternidade. O negócio é fonte de renda, mas também pode ser uma ferramenta de autonomia e de reorganização da própria vida.

Essa dimensão apareceu com força durante os encontros. Para Isabela Carvalho, coordenadora do Projeto, falar sobre projetos de vida também significa criar espaço para que desejos que nem sempre encontram lugar possam ser verbalizados. “A gente é criada numa cultura que não é comum falarmos sobre nossos sonhos. Nós, mulheres, temos muitas vezes o nosso caminho já traçado, como mãe, companheira…”

Ao ouvir essas histórias, o Comitê acaba olhando para muito mais do que a proposta de um empreendimento. A pergunta passa a ser também o que aquele investimento, aquele conhecimento e aquela oportunidade podem representar na vida de quem está diante da banca.

Uma mesa onde histórias se reconhecem
Há ainda outra particularidade nesses encontros: quem está do outro lado da mesa também carrega uma história de empreendedorismo.

Em Glória do Goitá, Edísio Soares, barbeiro e membro do Comitê, conhece a experiência de construir e sustentar um empreendimento. Por isso, sua presença na avaliação representou também a possibilidade de compartilhar uma experiência concreta com quem está começando.

Para ele, o empreendedorismo precisa crescer para além de quem iniciou o negócio. “Eu acredito que o empreendedor deve ser como uma árvore. Que deve crescer, criar raiz e dar frutos. Deve se sentir honrado em poder abrir portas para outros empreendedores, dando oportunidade e ajudando-os a crescer.”

A imagem da árvore ajuda a traduzir uma das dimensões mais importantes do Comitê: a colaboração. Os integrantes podem questionar, avaliar e contribuir, mas também podem reconhecer nos jovens algumas das dificuldades e dos desejos que fizeram parte de suas próprias trajetórias.

É uma espécie de banca que também aprende. E que, em alguns casos, devolve à própria rede pessoas que um dia estiveram sentadas no lugar dos jovens empreendedores.

Em Feira Nova, Ana Clara viveu essa passagem. No ano anterior, estava diante do Comitê, nervosa, apresentando seu próprio projeto de vida. Agora, voltou para a mesma experiência em outra posição: como empreendedora e integrante da banca. O que antes era expectativa tornou-se participação. O que era nervosismo diante de uma oportunidade passou a ser responsabilidade de contribuir com os sonhos de outros jovens: “A Giral é um lugar de sonhar, empreender e aprender. Não deixem de sonhar e lutar pelo que vocês querem.”

A trajetória de Ana Clara revela um movimento que ultrapassa a duração de uma formação. O jovem pode chegar como participante, desenvolver seu empreendimento, ganhar experiência e, mais adiante, ocupar outros espaços dentro da própria rede. O conhecimento circula. As histórias também.

Quatro cidades, diferentes caminhos
Em Lagoa de Itaenga, assim como nos demais municípios, o Comitê encontrou a diversidade que caracteriza os projetos acompanhados pela iniciativa. Há empreendimentos urbanos e rurais, negócios familiares, iniciativas ligadas à produção no campo, à beleza, ao artesanato e à criação de animais. Essa diversidade importa porque mostra que não existe um único jeito de empreender ou um único ponto de partida.

Há jovens que chegam com uma ideia. Há quem já tenha investido recursos próprios. Há quem tenha aprendido uma atividade dentro da família. Há quem tenha precisado sair de seu território para descobrir uma possibilidade e depois retornar com um sonho mais definido.

O Comitê reúne essas diferentes trajetórias em torno de uma mesma pergunta: o que é possível construir a partir daqui?

Como bem colocou a coordenadora Isabela, esse encontro entre histórias é principalmente uma forma de aprendizado: “Uma tarde sobre aprender e falar sobre sonhos. De se reconhecer e se ver também na história do outro.”

É nesse reconhecimento que a experiência ganha uma dimensão coletiva. Um jovem pode encontrar no outro uma dificuldade parecida, uma estratégia que ainda não conhecia ou simplesmente a confirmação de que não está sozinho na tentativa de construir um caminho próprio.

A formação, assim, não termina na sala de aula. Continua nas conversas, nas trocas entre empreendedores, nas relações construídas e nas oportunidades que surgem a partir delas.

Semear e fortalecer sonhos
O Fundo Semente é parte concreta dessa caminhada. Ao longo da execução do projeto, cerca de R$ 200 mil serão investidos em quase 100 projetos de vida, fortalecendo iniciativas de jovens dos diferentes territórios atendidos. Os recursos podem responder a necessidades diversas dos empreendimentos, como aquisição de equipamentos, matéria-prima, formação e reforma dos espaços de trabalho.

O investimento chega em histórias que, muitas vezes, já estão em movimento.

No caso de Eliziane, existe um trailer comprado com o esforço próprio e um sonho que começou muito antes de chegar ao Comitê. No caso de Bianca, há um empreendimento que também representa uma maneira de cuidar do filho. Para Maria Eduarda, existe a relação com a família e com o território rural. Para Sabrina, há conhecimentos que ajudaram a reconhecer e fortalecer um propósito.

Por isso, Isabela chama atenção para uma construção que envolve diferentes sujeitos: “O resultado de um projeto nunca é só o que a Giral faz, mas a soma do que o poder público faz, do esforço do jovem e do apoio da sua família.”

O resultado também passa pelas pessoas que ajudam, pelas redes que se formam e pelos conhecimentos que permanecem.

Não se trata somente de financiar uma ideia. O Fundo Semente pode fortalecer uma trajetória que já começou. E o Comitê, ao acompanhar essa trajetória de perto, cria um espaço para que os jovens sejam vistos não apenas pelo que pretendem fazer, mas pelo que já fizeram e pelo que ainda podem construir.

Ao longo da primeira semana de agosto, quatro municípios receberam esses encontros. Em cada território, mudaram os rostos, os negócios, as histórias e os sonhos. Permaneceu, porém, a mesma disposição de escutar e fortalecer.

No fim, talvez seja essa a imagem que melhor traduza o que acontece quando as portas de uma sala se abrem para tantos projetos de vida: de um lado, jovens trazendo aquilo que imaginam para o futuro; do outro, pessoas dispostas a ouvir, contribuir, compartilhar e fortalecer.

E, entre eles, uma rede que mostra que empreender pode significar muito mais do que gerar renda.

Pode ser criar autonomia, cuidar da família, permanecer ligado ao território, retomar um sonho, aprender algo novo e descobrir que uma trajetória individual também pode abrir caminhos para outras pessoas.

Como na árvore das palavras de Edísio, o empreendedorismo em que a Giral acredita cresce quando cria raízes, dá frutos e ajuda a abrir portas. É nesse movimento entre sonho, conhecimento e investimento que o Projeto Empreender e Inovar para Transformar reafirma seu compromisso com a construção de novos caminhos para a juventude.

Uma iniciativa da Giral, com o patrocínio do Google, Siemens Brasil e IAF, e apoio da Fundação Siemens e Actionaid Brasil.

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Giral realiza processos que corroboram com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados em 2015, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para unir forças em prol de uma Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser cumprida até o ano de 2030. Entre eles, destacam nas ações da instituição, os compromissos com os objetivos: