“Ao olhar pra trás não vemos apenas roupas prontas, mas pessoas transformadas, pessoas que descobriram talentos que nem sabiam que tinham, que aprenderam a confiar em si mesmas, que venceram o medo e encontraram força nas próprias mãos.”
Foi assim que Marilene Silva, uma das 90 alunas concluintes dessa etapa dos cursos de corte e costura, começou seu depoimento. A fala aconteceu durante mais uma formatura das turmas da Escola de Moda, que aconteceu na última terça-feira (16) na sede da Giral em Glória do Goitá. O evento marca a conclusão de uma etapa formativa, mas não só, marcar principalmente a celebração da autonomia, do empoderamento e da força coletiva dessas muitas mulheres.
Com 540 formandas até o momento, a Escola de Moda se consolida como espaço de qualificação profissional e geração de renda, mas vai além: constrói autoestima, redes de apoio e caminhos de transformação. Foi essa dimensão que Marilene traduziu tão bem em sua fala.
“Foram dias de esforço, de dedicação, de superação, mas também dias de amizade, de risadas e de aprendizado que vão muito além das máquinas e das linhas”, contou. Marilene se apresentou como gari, mãe, esposa e dona de casa, mas deixou claro que sua voz naquele momento representava todas as mulheres presentes: “Eu posso ser Andréia Gonçalves, agente de saúde, posso ser Taíssa, auxiliar de professora… posso ser qualquer uma. Aliás, somos todas juntas, um pouco de cada coisa. Tomamos a decisão de não ficarmos apenas com os títulos ou deveres e obrigações que já tínhamos. Queríamos mais, queremos mais!”.
Em seu depoimento, a costura aparece como metáfora para a vida: “Às vezes o tecido não encaixa, a linha quebra, o molde não dá certo, mas com paciência e coragem sempre conseguimos recomeçar. Nos lembra que a vida pode ser reajustada, refeita e transformada em algo único e belo”.
Educadores, colegas e representantes do poder público reforçaram esse sentimento coletivo. Jonne Cleibson, costureiro e educador, destacou o orgulho de acompanhar as conquistas das alunas. “É muito gratificante ver vocês comprando as máquinas de vocês, costurando suas roupas. Independente da técnica, lembrem sempre de colocar amor no trabalho de vocês”, disse o costureiro.
Silvana Veras, aluna que hoje também atua como monitora, agradeceu emocionada: “Foi e continua sendo incrível aprender com vocês todos os dias”. Já a secretária da Mulher de Glória do Goitá, Maria Andrade, apontou o quanto a formação impacta para além da sala de aula, “essa formatura não é só uma conclusão, mas simboliza o fortalecimento da autoestima, a realização de um sonho, a geração de renda e a mudança de vida de vocês”.
Costurando histórias de autonomia e superação, entre linhas, tecidos e agulhas, a Giral segue fortalecendo mulheres e territórios. A Escola de Moda é uma iniciativa da Giral – Desenvolvimento Humano e Local, realizada em parceria com o Ministério das Mulheres.










