No último dia 15 de julho, enquanto parte da cidade descansava em pleno recesso escolar, os jovens artistas do Paleta Coletiva caminhavam por uma trilha rumo a uma experiência que criaria memórias afetivas importantes para o grupo. A aula de campo aconteceu no sítio onde mora a jovem artista Júlia Costa, na zona rural de Glória do Goitá. Uma oportunidade de estreitar laços e exercitar a arte em sua forma mais pura.
“O percurso até acabou fazendo parte da experiência”, lembra Wemisson Araújo, educador responsável pelo grupo. “Já que, devido às chuvas e ao terreno íngreme, o carro não conseguiu subir até a residência, então caminhamos juntos”, completou. Ao longo do dia, os adolescentes observaram os elementos naturais e arquitetônicos da propriedade e produziram desenhos ao ar livre, registrando o ambiente com a sensibilidade de quem entende que arte e afeto caminham juntos.
A anfitriã do encontro, Júlia Costa, viveu o dia com alegria incontida. “Eu acordei tão feliz que era capaz de explodir. Mal consegui dormir de tanta ansiedade por saber que meus amigos vinham aqui. Foi muito supimpa receber todo mundo”, contou, já fazendo planos para um próximo encontro.
E, pr’além de um exercício técnico a aula de campo se tornou um espaço de conexão e escuta. Entre desenhos e observações, o grupo compartilhou histórias, emoções e brincadeiras. “Foi um momento de desconexão com a agitação do dia a dia, uma desconexão de tudo aquilo que acaba nos causando estresse e ansiedade”, afirmou a artista Lohana Farias. “O contato com a natureza, que nos faz tão bem, o contato sentimental com as pessoas, a forma com que cada um deixou-se cativar e ser cativado, foi um momento descontraído e excepcional.”
Para Wemisson, essa vivência reforça o papel do Paleta Coletiva como um espaço de criação artística comprometido com o território e com as subjetividades dos jovens. “A escuta, o cuidado e a convivência são partes fundamentais do nosso processo. O que aconteceu nesse dia não se ensina em sala.”
O Paleta Coletiva é um grupo de jovens artistas formado a partir do projeto Educação e Vivências Inclusivas, da Giral. Através da pintura, os adolescentes pesquisam, recriam e registram a cultura, as paisagens e o cotidiano do território onde vivem, fortalecendo sua identidade e expressão. O projeto é realizado com apoio do Programa Amigo de Valor, do Santander, e promove o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com foco em formação cidadã, cultural e política, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.










