Os intercâmbios promovidos pelo projeto Educação e Vivências Inclusivas têm aproximado o conteúdo das oficinas do cotidiano e da história viva do território. São vivências que conectam arte, cultura e identidade, despertando novas possibilidades de futuro para crianças e adolescentes de Glória do Goitá. Recentemente, as turmas das oficinas de Teatro e Dança participaram de visitas ao Paço do Frevo e ao Museu Cais do Sertão, em experiências que dialogam com os conteúdos trabalhados em sala e expandem o repertório cultural dos participantes.
“A ideia foi oportunizar acesso à cultura e ao lazer, principalmente agora nas férias, quando muitos não teriam como vivenciar isso por conta própria”, explica Renata Uchoa, coordenadora do projeto. Para os grupos de teatro e dança, a visita ao Paço do Frevo foi pensada como uma extensão das atividades que já vinham sendo desenvolvidas nas oficinas, como as aulas sobre o frevo, ministradas pelo arte-educador Marcelo Henrique. “A gente tentou revisitar esse lugar do frevo para entender sua importância, o que ele diz sobre identidade, cultura, memória — e também fazer esse recorte da identidade negra, que é algo que vamos abordar mais profundamente daqui pra frente.”
O impacto da visita foi imediato entre os participantes. Lidenberg Filho, aluno das oficinas e dançarino dedicado, ficou emocionado com a experiência. “Fiquei muito feliz por saber ainda mais do frevo, da importância dele, das várias culturas envolvidas, das músicas e de onde tudo surgiu. Conheci mais profundamente coisas que a gente não sabia.”
No Museu Cais do Sertão, a turma mergulhou em elementos da cultura nordestina: a oralidade, as tradições populares, a vida no sertão. “Trabalhamos esses espaços como continuidade do que é vivido nas oficinas, para trazer referências e inspirações”, reforça Renata. “Tudo que temos no Nordeste constitui a gente enquanto pessoa, enquanto cultura. E essas vivências fora da sala dão sentido à dança, à arte, à história que estamos construindo com eles.”
Stéphane Thayane, participante da oficina de dança, também se encantou com o que viu. “Achei muito interessante a exposição, principalmente a parte da casa de taipa. Sempre gostei desse tipo de coisa”, comentou, referindo-se à ambientação do Cais do Sertão.
Os intercâmbios não param por aí. Na próxima semana, será a vez das turmas da Oficina do Saber visitarem o Instituto Ricardo Brennand, onde participarão de uma visita mediada à exposição do artista Vik Muniz e poderão circular livremente pelo castelo que abriga o museu. “A quantidade de objetos e obras que vão encontrar ali com certeza vai provocar uma memória forte neles”, antecipa Renata. “Essas experiências ajudam a entender como o território e a cultura moldam as nossas histórias e subjetividades. E depois vamos usar isso nas aulas de leitura e escrita.”
Segundo Renata, os intercâmbios não se encerram nas visitas. Eles inauguram uma nova etapa de aprofundamento nos temas vivenciados, com o apoio do Museu do Homem do Nordeste, que visitará a Giral para atividades formativas com foco na preservação do patrimônio imaterial. “Vamos tratar de referências da cultura local, de povos indígenas, de tudo que forma esse nosso tecido cultural”, explica a coordenadora. “Acredito que esse tipo de vivência tem um impacto subjetivo e intelectual muito profundo. Fica mais fácil trabalhar certos conteúdos quando a criança vive aquilo — quando a dança, por exemplo, ganha um sentido histórico, de resistência, de identidade.”
O projeto Educação e Vivências Inclusivas é realizado pela Giral, com apoio do Programa Amigo de Valor, do Santander. A iniciativa oferece oficinas no contraturno escolar, atendimento multiprofissional e atividades que promovem o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com foco na formação cidadã, cultural e política, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.










