Um espelhinho passeia entre mãos que carregam as marcas do tempo. E quando os olhos se encontram com o reflexo, ouvimos diferentes histórias de vida. Depois, as mesmas mãos que seguram o espelho, costuram bonecas que refletem os traços e as vivências dessas personagens tão importantes: as participantes do Projeto Sonhos Não Envelhecem. A oficina de artesanato, conduzida pela artesã e educadora social Claudiane Oliveira, tem proposto uma experiência sensível de reconhecimento, pertencimento e valorização da trajetória de cada participante.
Batizada de “Oficina Identidade”, a proposta tem como objetivo a confecção de uma boneca com características físicas e culturais das próprias mulheres — tom de pele, textura do cabelo, modo de se vestir. Mas, antes da costura final, o processo revela um universo potente de memórias, afetos e descobertas sobre si e sobre as outras, fortalecendo vínculos e reafirmando identidades.
“A oficina é um espaço para elas se reconhecerem. Muitas são mulheres pretas, agricultoras, moradoras da zona rural. Aqui, elas têm a oportunidade de refletir sobre quem são, do que gostam, como se divertem, como se vestem”, explica Claudiane. A costura, nesse contexto, funciona como um pretexto para conversas profundas e trocas afetivas.
A educadora reforça o caráter coletivo da experiência. “É uma troca. Elas falam de suas histórias, escutam as das colegas. Muitas nunca tinham parado pra pensar sobre si com esse cuidado: se reconhecer no próprio corpo, na sua cor, no seu cabelo. E tudo isso vai virar uma boneca, que é a representação de tudo isso que elas são.”
A proposta tem gerado impactos positivos. “Hoje foi muito especial”, contou Maria José dos Santos Andrade, de 64 anos. “Aprendi coisas que eu não sabia. Conversando, a gente vai se dedicando e aprendendo mais ainda. Me conhecer foi maravilhoso. Minha cor, meu cabelo, meu jeito — tudo é perfeito, tudo é joia.”
Para Ana Maria, de 66 anos, a oficina foi uma oportunidade de revelar algo que vai além do nome ou da aparência. “As pessoas me conheciam como ‘Aninha, filha de seu Perrito’, mas não sabiam do meu pensar, da minha história. Agora, me conheceram de verdade. E também escutar as histórias das outras foi muito bom — teve muita infância sofrida ali. A gente passou a entender umas às outras.”
Focado em pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, o Projeto Sonhos Não Envelhecem promove saúde física e mental por meio de oficinas, rodas terapêuticas e atividades de lazer e aprendizagem. Incentivando o envelhecimento ativo e o fortalecimento de vínculos afetivos, o projeto valoriza o protagonismo, a convivência e os sonhos em todas as fases da vida.
Para além de uma atividade manual a oficina expressa o compromisso da Giral com uma educação sensível, intergeracional e transformadora. Em cada boneca costurada há memória, afeto e afirmação. O Projeto Sonhos Não Envelhecem é uma iniciativa da Giral – Desenvolvimento Humano e Local, com patrocínio da SulAmérica, Instituto Ultra, Alura e Cia Muller.










