Vidas e Sonhos: Arraiá celebra cultura popular e envelhecimento ativo em Glória do Goitá

Junho passou, mas as bandeirinhas coloridas ainda tremulavam ao vento, e o cheiro de milho cozido continuava a preencher o ar. Mesmo com o fim dos festejos, o espírito junino estava vivo na quadra da Escola Dom Miguel, em Glória do Goitá, na última sexta-feira(04). Foi lá que os participantes dos projetos Vida Feliz e Sonhos Não Envelhecem celebraram juntos um grande arraiá, a culminância de um processo que além da festa mobilizou saberes e memórias. Neste ano, a proposta do festejo foi além da tradição. Inspirada na xilogravura — expressão artística fortemente ligada à literatura de cordel —, a vestimenta dos participantes deixou de lado o xadrez e a chita para dar lugar a roupas que homenageiam essa linguagem tão marcante da cultura nordestina. A escolha não foi aleatória: ao longo das oficinas de alfabetização e letramento, conduzidas pela educadora Manuella Gomes, as idosas mergulharam no universo do cordel e da oralidade, conectando suas próprias histórias às raízes da arte popular. “Esse mês junino a gente trabalhou muito sobre cultura, oralidade, tradição e o saber popular. Fomos construindo esse repertório com elas a partir das vivências e das memórias que cada uma traz”, contou Manuella. O resultado foi uma apresentação marcada pela originalidade e pelo respeito à tradição. Para o educador Marcelo Henrique, a quadrilha desse ano foi também um exercício de corpo e mente. “Optamos por uma quadrilha mais estilizada, com elementos novos. Isso exigiu muito delas — coordenação motora, memorização dos passos, da letra da música — e foi lindo ver o empenho. Muitas não conheciam a xilogravura, nem o cordel, e se encantaram. A gente viu o quanto elas se dedicaram e gostaram desse processo.” Luiza Alves de Souza, uma das participantes do projeto, resumiu o sentimento compartilhado por muitos: “A gente tem um pouco de dificuldade porque já somos idosas, mas graças a Deus hoje deu tudo certo. Fiquei muito feliz, mesmo com meu problema de pulmão. A quadrilha foi show de bola!” O evento reforça o compromisso da Giral com uma educação integral e afetiva, que reconhece o envelhecimento como um tempo de potência e expressão. Ao valorizar a cultura local, promover trocas entre gerações e integrar diferentes áreas do saber, projetos como Vida Feliz e Sonhos Não Envelhecem mostram que as tradições juninas também são um espaço de resistência, celebração e aprendizagem. Uma iniciativa da Giral que conta com o patrocínio da BB Seguros, BTG Pactual, Electrolux Group, SulAmérica, Instituto Ultra, Alura, Perfect Automotive, Grupo Sabará e apoio do Programa Parceiro do Idoso, do Santander.
Escola de Comunicação: com atividades práticas módulo de fotografia amplia repertório de jovens

A fotografia vai muito além de registrar um instante — é construir uma narrativa, transmitir uma ideia, revelar um olhar. Na Escola de Comunicação da Giral, os jovens têm se aprofundado nos fundamentos dessa linguagem visual, compreendendo como luz, enquadramento, composição e contexto podem transformar uma simples imagem em ferramenta de comunicação, trabalho e expressão pessoal. Ministrado pelo educador Alcides Júnior, o módulo de Fotografia tem como objetivo apresentar os principais elementos técnicos e criativos que estruturam a área. “Nosso foco é ajudar esses jovens a desenvolverem um olhar fotográfico, entendendo como usar a luz, o ângulo, os planos. São conceitos simples, mas que fazem toda a diferença, seja para contar uma história, divulgar um produto ou registrar um momento”, explica o educador. “Nosso foco é ajudar esses jovens a desenvolverem não somente um olhar fotográfico, mas também uma sensibilidade visual, estimulando-os a parar e enxergar ao seu redor com mais atenção. Utilizando conceitos simples como a luz, o ângulo, os planos e para isso, que fazem toda a diferença na hora de fotografar” A proposta tem gerado impacto entre os participantes, especialmente por mostrar como a fotografia pode ser aplicada no dia a dia e até mesmo abrir portas profissionais. Alana Moreira, conta que nunca tinha usado uma câmera manual antes do curso. “Aprendi a enxergar o mundo com um novo olhar, valorizando cada detalhe. A forma como o conteúdo foi explicado, com clareza e na prática, fez toda a diferença. Saí da aula inspirada e motivada a continuar explorando esse universo incrível da fotografia.” Para o coordenador pedagógico do projeto, Agamenon Porfírio, a formação fotográfica tem um papel estratégico. “Fotografar é um ato político, é uma forma de ler o mundo e de intervir nele. Ao oferecer esses conhecimentos técnicos e conceituais, a gente também possibilita que esses jovens passem a se ver como produtores de imagem, como pessoas capazes de comunicar o que vivem, o que criam, o que sonham. Seja pra empreender, pra registrar a comunidade ou até pra seguir profissionalmente, a fotografia é uma chave potente.” A ação integra a Escola de Comunicação, projeto da Giral que promove formação cidadã e inclusão digital, conectando jovens ao mercado e ao território por meio da comunicação e das tecnologias. Os módulos incluem fotografia, copywriting, design, produção de vídeos, desenvolvimento de aplicativos e educação financeira. Apoiado pelo Instituto Cooperforte, o projeto tem se consolidado como um espaço de potência e transformação para as juventudes do interior de Pernambuco.





