Projeto Vida Feliz: oficina tem transformado vivências e memórias em artesanato

Guardado com muito carinho, o Papai Noel feito de feltro por Eliane Maria da Silva, de 64 anos, tem lugar garantido todos os anos na ornamentação natalina de sua casa. A peça poderia ser apenas mais um enfeite, mas carrega um significado especial: representa a oportunidade de criar algo do zero com as próprias mãos. Nas oficinas de artesanato da Giral, cada peça ganha um pouco da história de quem a confecciona, e esse aprendizado acontece entre muita cola quente e laços de amizade.

Hoje, a aposentada que trabalhou boa parte da vida como gari, guarda com carinho suas produções e reconhece nas atividades muito mais do que o desenvolvimento de habilidades manuais. “Quando a professora disse: ‘Hoje a gente vai fazer o Papai Noel’, me vieram tantas lembranças, coisas que eu nunca tive e agora tô tendo a oportunidade de ter e fazer junto com as minhas amigas.”

É nessa combinação entre criação e memória que as oficinas encontram parte de seu sentido. Com encontros semanais, as atividades são desenvolvidas a partir dos diferentes contextos das vivências das participantes. Diane Oliveira, educadora social e artesã, explica que esse cuidado orienta o planejamento dos encontros: “A gente foca principalmente nessa questão do afetivo, de resgatar essas lembranças que elas têm da infância, da família, desses vínculos, desses laços que foram criados lá atrás”.

O aprendizado também aparece nas técnicas que, antes, pareciam difíceis e até mesmo impossíveis de dominar. Eliane conta que nunca havia trabalhado com nada relacionado a costura ou bordado. Com a prática, descobriu que podia realizar algo que antes não fazia parte de suas experiências. “Nunca tinha pegado na agulha com a linha para fazer o bordado e agora eu faço na maior facilidade. Aqui foi o pontapé inicial e agora eu faço tudo com muito orgulho”.

Para Diane, acompanhar esse processo é perceber como a participação contínua pode fortalecer o desenvolvimento das habilidades motoras. Atividades simples, como segurar uma tesoura, manusear a cola ou fazer um recorte, podem representar desafios no início e se tornar mais acessíveis com o tempo. Mas os resultados não ficam restritos ao que as mãos conseguem produzir. A convivência é parte essencial do trabalho, e a oficina se transforma em um espaço de escuta, apoio e partilha, onde as participantes constroem amizades e cuidam umas das outras.

É justamente esse sentimento de acolhimento que Eliane destaca ao falar sobre o que encontrou na Giral. “E aqui a gente encontrou amigos, parcerias, coisas que lá fora, no dia a dia, não temos. Na Giral, a gente encontrou tudo isso: a amizade, o companheirismo, a forma como a gente é unida umas com as outras”.

Na oficina, Eliane também é reconhecida pela maneira como participa ativamente das atividades. Diane a descreve como uma presença que incentiva as colegas, oferece apoio e compartilha sua alegria, mesmo diante das dificuldades que enfrentou ao longo da vida. Essa força, percebida pela educadora no cotidiano das atividades, ajuda a explicar por que as oficinas são também espaços de construção de vínculos e valorização de cada participante.

Ao falar das vantagens da prática do artesanato, Eliane destaca a oportunidade de continuar aprendendo e exercitando a mente. “Os benefícios são muitos, viu? Porque mexe com a nossa cabeça, com coisas que na nossa idade vão ‘estacionando’. É muito satisfatório”.

Mais do que confeccionar peças, as oficinas do projeto Vida Feliz promovem encontros em que experiências são compartilhadas, novas habilidades ganham espaço e a pessoa idosa encontra oportunidades de participação e convivência. Cada criação passa a guardar também algo que não se mede pelo resultado final: a lembrança de ter aprendido, criado e vivido aquele momento junto de outras pessoas.

Uma iniciativa da Giral que conta com o patrocínio da BB Seguros, Electrolux, Copergas e apoio do Programa Parceiro do Idoso, do Santander.

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Giral realiza processos que corroboram com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados em 2015, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para unir forças em prol de uma Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser cumprida até o ano de 2030. Entre eles, destacam nas ações da instituição, os compromissos com os objetivos: