Cantos e Memórias: música fortalece vínculos e resgata a cultura popular

O salão se enche de vozes, ritmos e lembranças. Entre uma cantiga e outra, memórias de infância e juventude voltam a tona, agora compartilhadas por quem encontrou na música uma nova forma de contar a própria história. É assim que o Grupo Cantos e Memórias, do Projeto Vida Feliz, vem construindo sua trajetória: resgatando as histórias e tradições de um povo através da arte.

Para Maria Helena, de 62 anos, estar no grupo também significa reencontrar partes de sua própria história. “O que mais motiva a participar do grupo é que tô resgatando a minha infância, a minha juventude. Resgatando as cantigas de roda. E cantar faz muito bem!”

A oficina de música integra uma proposta mais ampla do Projeto Vida Feliz, que busca promover um envelhecimento saudável e ativo por meio de ações de convivência, arte, formação e desenvolvimento socioemocional. Nesse contexto, o grupo não representa apenas um espaço para aprender a cantar, mas também um lugar de encontro e valorização dos saberes que cada participante carrega consigo.

Esse processo ganha ainda mais significado com a preparação para o novo espetáculo, “Casa de Farinha”, que será apresentado pelo grupo no próximo dia 26, durante a abertura do projeto Sonhos Não Envelhecem, no município de Ipojuca. A apresentação amplia a proposta da oficina ao unir música, teatro e percussão para contar uma história profundamente ligada ao território e às memórias das participantes.

O repertório nasceu justamente dessas lembranças como revela o educador Tiago Elzo. “Foi justamente das próprias alunas, através de um resgate mesmo, das memórias e histórias. Muitas delas trabalhavam em casas de farinha e vemos nesse lugar um símbolo da nossa cultura. O nosso espetáculo, é justamente um resgate e um relato dessa cultura que é tão nossa”, explica o educador.

A casa de farinha, nesse sentido, deixa de ser apenas cenário. Torna-se símbolo de uma história vivida por muitas mulheres, de um modo de vida e de uma cultura que atravessou gerações. O espetáculo transforma essas experiências em uma narrativa que se conecta com o público e cria a oportunidade para que memórias individuais sejam compartilhadas como parte de uma história coletiva.

Maria Helena reconhece esse significado. “O espetáculo veio a abrilhantar ainda mais o nosso grupo. O teatro mostra a realidade da nossa terra, fala sobre a cultura da mandioca. E isso é muito, muito bom porque muita gente de outros lugares não conhece essa cultura e a gente tá passando essa realidade pra elas.”

A preparação para o espetáculo também representa uma mudança na própria experiência da oficina. Segundo Tiago, neste ano a proposta passou a trabalhar a música de maneira mais aprofundada. “Antes, a ideia era que, através do canto, eles aprendessem sobre ritmo e melhorassem questões como a coordenação motora. Já esse ano, a gente tem trabalhado de forma mais aprofundada. Além do teatro, eles têm aperfeiçoado o canto e aprendido também sobre outros ritmos.”

O trabalho envolve diferentes linguagens. O canto se encontra com a percussão e as artes cênicas, exigindo dos participantes novas aprendizagens e também mais segurança para ocupar o palco. Para Moisés Saturnino, educador e professor de canto, os avanços já podem ser percebidos no cotidiano da oficina. “A gente deu uma melhorada muito grande na afinação, na postura e no desenvolvimento pessoal desses idosos, reforçando a segurança pra cantar e a presença de palco deles.”

Aos 73 anos, Manuel Ferreira de Lira conhece bem o significado dessa oportunidade. “Eu não tive essa chance quando jovem e agora que estou aposentado estou tendo. Comecei ano passado e já estou até aprendendo.”

Para ele, cantar também carrega uma responsabilidade que ultrapassa o próprio grupo. “Uma das coisas que eu tenho alertado ao grupo é que nós temos um compromisso muito grande porque, cantando, nós estamos resgatando as memórias das cantigas de roda. Então nosso compromisso é muito grande. Eu acho superinteressante porque nós estamos alertando as crianças e adolescentes pras cantigas do passado.”

É justamente nesse encontro entre passado e presente que a oficina encontra uma de suas maiores potências. Ao revisitar cantigas, histórias e costumes, além de recordarem o que viveram, os participantes compartilham conhecimentos com outras gerações e ajudam a manter vivas manifestações culturais que fazem parte da identidade da nossa região.

O Grupo Cantos e Memórias traduz, assim, um dos princípios do Projeto Vida Feliz: compreender o envelhecimento como um processo dinâmico, que pode ser vivido de forma saudável, ativa e participativa. A arte cria caminhos para a convivência e para o fortalecimento dos vínculos, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de aprendizagem e protagonismo das pessoas idosas.

Uma iniciativa da Giral que conta com o patrocínio da BB Seguros, Electrolux, Copergas e apoio do Programa Parceiro do Idoso, do Santander.

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O Giral realiza processos que corroboram com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados em 2015, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para unir forças em prol de uma Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser cumprida até o ano de 2030. Entre eles, destacam nas ações da instituição, os compromissos com os objetivos: