Da horta para a comunidade: Projeto Educação Sustentável transforma escolas em espaços vivos de aprendizagem

Antes mesmo de entrarem na sala de aula, muitas crianças da Creche Municipal Maria Abelina já sabem qual será a primeira parada do dia. Entre os canteiros, os pequenos percorrem a terra úmida enquanto olhos atentos procuram sinais de novas folhas brotando. Ali, cada muda cultivada desperta uma sensação diferente. É na horta que o aprendizado começa antes mesmo de as pequenas mochilas serem abertas. O cenário faz parte da rotina construída pelo Projeto Educação Sustentável: Criança e Cidadania, desenvolvido pela Giral. Para além do cultivo de hortaliças, a iniciativa transforma a horta em um espaço pedagógico e de experimentação, aproximando as crianças da natureza e incentivando hábitos alimentares mais saudáveis. Na Maria Abelina, o envolvimento dos estudantes aconteceu de forma natural. A curiosidade pelas plantas rapidamente se transformou em cuidado cotidiano, despertando também novos comportamentos dentro da própria escola. Para a coordenadora Rosilene Barboza, a mudança pode ser percebida tanto na horta quanto no refeitório. “Essa parceria deu certo. A horta veio para a creche, desenvolvendo o interesse e a curiosidade pelas hortaliças. Elas regam, plantam mudinhas e colhem as hortaliças com cuidado, e várias crianças aprenderam a comer saladas no almoço. Alguns funcionários também gostaram e participam das atividades da horta.” O entusiasmo das crianças acabou envolvendo toda a comunidade escolar. Nos horários de entrada e saída, a horta passou a ser também um ponto de encontro entre famílias e filhos, que compartilham as descobertas feitas durante as atividades. Rosilene percebe esse movimento diariamente. “Ao receber as famílias, percebemos a grande satisfação delas ao entrar na creche. Logo, é possível vê-las observando a horta e perguntando aos pequeninos sobre as hortaliças, de quais mais gostam, o nome das mudinhas e se eles comem. A horta faz sucesso!” A visita aos canteiros também se tornou um dos momentos mais aguardados da rotina pedagógica. A professora Raynara Arruda conta que a expectativa começa antes mesmo das atividades. “Temos um horário para ver a hortinha, e eles ficam bastante animados em regar as plantinhas e acompanhar o crescimento. O fato de ter contato com a água e regar, eles amam demais!” Segundo a educadora, os aprendizados ultrapassam o contato com a terra e chegam até a alimentação das crianças. “Algumas crianças não comiam frutas e hoje comem. Tenho três crianças autistas com seletividade alimentar. Muitas vezes, elas não comem, mas tocam nos alimentos e sentem a textura. Isso desperta a curiosidade em provar, e ver as outras crianças comendo também serve de incentivo.” Na turma da professora Yane Nascimento, o encantamento também nasce das pequenas descobertas. A cada visita, o crescimento de uma muda ou o surgimento de uma nova folha se transforma em motivo de comemoração. “Faz parte da rotina. As crianças gostam muito de visitar e observar a horta. O que mais desperta a curiosidade delas é ver as plantinhas crescendo e mexer na terra.” Essa aproximação constante com o cultivo também desperta novos hábitos à mesa. Como observa a professora: “Percebo que algumas crianças ficaram mais curiosas para experimentar os alimentos. Lembro que elas ficam muito felizes quando encontram uma plantinha crescendo e logo chamam a gente para mostrar.” A experiência vivida na Creche Municipal Maria Abelina traduz a metodologia adotada pelo Projeto Educação Sustentável: Criança e Cidadania em todas as escolas participantes. As atividades acontecem por meio de visitas semanais, nas quais a horta deixa de ser apenas um espaço de cultivo para se tornar uma verdadeira sala de aula ao ar livre. Segundo o coordenador do projeto, Luiz Fernando, a proposta é construir conhecimento a partir da experiência prática das crianças. “Na Creche Municipal Maria Abelina, o Projeto Educação Sustentável: Criança e Cidadania é desenvolvido por meio de visitas semanais, nas quais a horta pedagógica é utilizada como um espaço permanente de aprendizagem. As atividades priorizam metodologias participativas e vivências práticas, transformando áreas antes ociosas da escola em salas verdes, onde as crianças constroem conhecimentos a partir da experimentação, da observação e do contato direto com a natureza.” Ao longo do primeiro semestre, essa metodologia deu origem a atividades de cultivo agroecológico, oficinas culinárias utilizando alimentos produzidos nas próprias hortas, ações de compostagem, reaproveitamento de resíduos orgânicos e formações sobre educação ambiental, alimentação saudável e proteção de crianças e adolescentes. Todo esse trabalho está organizado em dois grandes eixos temáticos: “Da Terra ao Prato: Vivências na Horta para a Segurança Alimentar e Alimentação Saudável” e “Aprender Fazendo: Agroecologia, Compostagem e Cuidado com a Vida no Espaço da Horta”, integrando teoria e prática em um mesmo processo educativo. Embora cada escola desenvolva suas atividades respeitando a realidade do território onde está inserida, o princípio permanece o mesmo. Como destaca Luiz Fernando: “Essa metodologia é replicada nos demais espaços atendidos pelo projeto, respeitando as características e necessidades de cada unidade escolar. Em todas as escolas, a horta pedagógica constitui o principal ambiente educativo para o desenvolvimento de atividades práticas, promovendo a integração entre educação ambiental, sustentabilidade, alimentação saudável e cidadania por meio de experiências concretas e contextualizadas à realidade dos estudantes.” Hoje, o Projeto Educação Sustentável: Criança e Cidadania está presente em 12 escolas públicas dos municípios de Glória do Goitá, Feira Nova, Vitória de Santo Antão, Pombos e Camaragibe. Somente no primeiro semestre, cerca de 800 participantes foram atendidos diretamente, além de aproximadamente 300 pessoas alcançadas por meio de ações desenvolvidas em instituições parceiras. Entre as iniciativas realizadas estão a implantação das hortas pedagógicas, o tradicional plantio do milho durante o período de São José, oficinas de agroecologia, compostagem, alimentação saudável, valorização da agricultura familiar e atividades culinárias intergeracionais. No segundo semestre, o projeto amplia ainda mais esse percurso formativo. Estão previstas oficinas de culinária, compostagem e coleta seletiva, além de atividades voltadas ao debate sobre racismo ambiental, justiça socioambiental, direitos da infância, combate ao trabalho infantil, inclusão e acessibilidade nas hortas pedagógicas e conscientização sobre os impactos dos agrotóxicos, fortalecendo a agroecologia como caminho para uma produção sustentável de alimentos. Da pequena muda que nasce em um canteiro às reflexões sobre meio ambiente e sustentabilidade,

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Giral realiza processos que corroboram com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados em 2015, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para unir forças em prol de uma Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser cumprida até o ano de 2030. Entre eles, destacam nas ações da instituição, os compromissos com os objetivos: